Canto gregoriano

A Música

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O sistema de notação

Codex Laon 239
[fragmento com neumas do manuscrito 239 de Laon, Metz, escrito por volta de 930]

O sistema de notação sofreu muitas alterações significativas no curso dos séculos. A princípio, era meramente uma combinação de linhas e de curvas escritas sobre o texto. A informação que elas continham se perdeu por muitos séculos até que estudiosos contemporâneos a redescobriram: os neumas indicam o ritmo dos cantos. A informação melódica contida dentro dos neumas é um pouco menos acurada, mas a maioria dos cantores conhecia os cantos de cor, portanto isto não era problema. A evolução na notação se estende desde os manuscritos do século X como St.-Gallen ou Laon até às edições contemporâneas Lagal ou Fluxus.


Para ilustrar o desenvolvimento dos neumas para notas, tomamos o ofertório Illumina do 101 Domingo. A primeira versão pode ser achada no manuscrito de Mont-Renaud de Noyon (século X). Esta notação contém só uma pequena informação melódica relativa (meramente indica se a melodia sobe ou desce), o que chamamos adiastemática.

Mont Renaud Noyon

Laon 239 de Metz (cerca de 930) nos dá um pouco mais de informação quanto à melodia

Laon 239 Metz

e Chartres 47

Chartres 47

Einsiedeln 121 de Sankt-Gallen (970) acrescentou letras, abreviações de certos termos musicais (como o t para tenere, segurar, e l para levare: subir)

Einsiedeln 121 Sankt Gallen

Benevento 33 é um exemplo claro da transição para manuscritos diastemáticos

Benevento 33

A primeira geração de manuscritos realmente diastemáticos, tais como o Paris B.N. 776 (de Albi, provavelmente antes de 1079) ainda com os neumas in campo aperto (em campo aberto), em relação gráfica entre os neumas

Paris B.N. 776 Albi

Manuscritos diastemáticos tardios, como o Paris B.N. 903 (de Saint-Yrieix) agrupa os neumas em torno de uma linha.

Paris B.N. 903 Saint Yrieix

Benevento 34 (término do século XI) é o primeiro manuscrito onde descobrimos linhas e claves indicando os semitons (C e F)

Benevento 34

Graz 807 vai um passo além: 2 linhas, 4 claves.

Graz 807

O manuscrito mais extraordinário de todos é sem dúvida o Montpellier H159, tanto com neumas quanto letras representando as notas.

Montpellier H159

Mas, como mencionado antes, a decadência se estabeleceu. Veja o triste exemplo da Editio Tournay, publicada sob Clemente VIII em 1620.

Editio Tournay

O golpe final contra qualquer tipo de sutileza foi levado a efeito pela edição Pustet em 1871, também chamada Neo-medicea (do nome de uma edição vienense infame de 1614). Contudo, foi aprovada pelo Vaticano e os editores ainda ganharam o monopólio papal de imprimir música de Igreja por 30 anos.

Pustet Neo-Medicea 1871

Em 1883, Dom Pothier publica seu Liber Gradualis. A evolução mais notável foi o modo como as notas foram agrupadas. Pothier baseou suas edições nos primeiros achados da pesquisa semiológica.

Liber Gradualis Pothier 1883

Em 1908, o Graduale renasceu na Editio Vaticana, principalmente sob a direção de Dom Pothier. A despeito do grande progresso da Semiologia, o Vaticano se recusou a mudar as prescrições sobre a posição das notas, grupos e pausas. Este é o motivo pelo qual a última edição (1974) tem o mesmo padrão do Graduale de 1908.

Editio Vaticana 1908

(Exemplos de manuscritos copiados por gentileza de Fred Scheyderberg, de seu Cursus Gregoriaans, parte II, 1987).


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